Tumblr da Bruna Vieira

Logo que mudei pra São Paulo, em uma das tradicionais conversas no sofá da sala com minha antiga roomate, chegamos pela primeira vez no assunto relacionamento. Eu tinha acabado de terminar um namoro de dois anos e estava louca para desabafar. Talvez o papo tenha começado com um simples “hoje no meu trabalho meu chefe…” e minutos depois, lá estávamos nós tricotando sobre o amor e suas peripécias. Aliás, acho difícil uma conversa entre duas garotas não cair nessa pauta, viu? Todo mundo tem um conselho pra dar ou uma boa história pra compartilhar.

*coloca alguma música do John Mayer pra tocar*

Nós pensávamos diferente e por incrível que pareça, essa era a parte mais legal dos diálogos. Eu costumava ser muito romântica e ver alguém encarar o amor de outra forma, mais leve e desapegada, me deixava meio intrigada. Nunca busquei um relacionamento típico de contos de fada com príncipe encantado e cavalo branco, mas quando o assunto é se relacionar com alguém normalmente levo a coisa toda muito a sério. Mergulho de cabeça, transformo sentimentos em palavras e ainda compartilho músicas fofinhas nas redes sociais. Não sei se isso tudo é uma característica minha, da forma que fui criada ou do lugar em que nasci (interior de Minas, uai!). Sempre foi assim e pronto. Não passou pela minha cabeça mudar porque as pessoas que ando agora, geralmente mais velhas, pensam diferente. Eu não acho que estava errada e ela certa ou vice-versa. Nós apenas vivíamos fases diferentes da vida.

Fases. Guardem essa palavra.

Lembrei dessa história quando vi a polêmica do “garota pra ficar ou namorar” rolando nas redes sociais. Sou colunista na Capricho e óbvio que várias pessoas me mandaram o link da matéria pedindo uma opinião. Então toma!

A teoria é bonita, principalmente quanto tentam exemplificar na ficção, mas na prática e no mundo mundo real, onde os relacionamentos duram mais que duas ou três horas (e temporadas), não existem mulheres ideais. Seguir um script é besteira, sabe? Pessoas não são como peças de roupa que precisam de etiquetas para serem diferenciadas. Os nossos valores reais estão nas atitudes que tomamos, naquilo que acreditamos e nos outros detalhes que deixamos o outro conhecer aos pouquinhos. Somos todos, mulheres e homens também, um mix de lembranças, dramas e sonhos. É maldade deixar que nos dividam em categorias.

Os rótulos nos limitam e se transformam em muros de concreto. Essa estrutura, para muitos completamente invisível, nos separam de quem poderia ser o amor da nossa vida ou sei lá, um excelente amigo ou amiga. Já vi essa situação acontecer tantas vezes ao meu redor.

Who cares com tudo isso quando o coração tá batendo mais forte ou a luz do quarto tá apagada? Meus caros, a vida é tão curta pra gente ficar se importando tanto com o que vão pensar. Sabe o que eu descobri dia desses? No final das contas, as pessoas enxergam o que querem enxergar.

Hunf.

Você acha que me conhece porque me viu vestindo tal roupa? Acha que me conhece porque me viu dançar até acenderem a luz da balada? Acha que me conhece porque naquele dia eu não estava afim de papo? Então sai pra lá agora mesmo com seus achismos e tanta ingenuidade. Não sei nadinha sobre você, isso é verdade, mas posso dar um conselho de amiga? São apenas fases. Você tá em uma, eu to em outra. Get over it.

Ah, e antes que eu me esqueça, sou sim uma garota pra ficar. E se tudo der certo e o cara me fizer feliz na maior parte do tempo, pasme, namorar também. Meu jeitinho.

- As palavras são meu escudo. 
- E como você ataca?
- Com atitudes.
- E quando você ataca?
- Quando as palavras acabam.

- Você sempre se referiu a gente como se nós fossemos acabar uma hora ou outra.
- Eu estava errado?
- Mas naquela época, não tinha como saber.
- É que eu não acredito em pra sempre.
- Eu acreditava.
- Não! Você apenas tinha certeza de que eu sempre ficaria ao seu lado. Isso é diferente de acreditar no pra sempre.
(ele ficou em silêncio)
- Eu era como o seu cinto de segurança. E quando eu não pude estar lá, você pisou no acelerador e destruiu tudo. Nós morremos. Eu vivi.
- Queria tanto poder voltar no tempo.
- Você faria outras escolhas erradas. A vida se trata justamente disso. Precisamos abrir mão de coisas e pessoas para que as lições sejam compreendidas e nós finalmente possamos crescer.
- Eu não queria abrir mão de você. Nunca quis. Eu jogaria todo o resto fora, seria aquele menino pra sempre, tudo para ter só mais uma chance.
- Então você ainda não aprendeu a lição. Você me perdeu atoa.

- O amor é uma armadilha.
- É um risco.
- Uma curva.
- A estrada.
- É viajar sem fazer as malas.
- É carregar todo o peso do mundo dentro do peito.
- Às vezes é segredo.
- É um grito.
- Um susurro.
- Uma eterna despedida.
- É nunca olhar pra trás. 
- Não saber diferenciar o antes do depois.
- É escorregar no agora.
- Cair, cair e cair.
- O amor é mudança de planos e sentidos.
- Tem gosto, cheiro e forma.
- Pra mim ele é meio cinza.
- Eu vejo todas as cores do arco-íris.
- O amor é tudo.
- Mas ele também pode fazer você se sentir um nada.

- Constantemente tenho sonhos que me fazem querer viver sonhando e acordar só de vez em quando. 
- Mas você já não faz isso?

Às vezes eu me sinto tão fucking sozinha no mundo dos adultos.

Faltam 16 dias. 

Faltam 16 dias. 

Um amigo me disse que somos o resultado da soma de todas as nossas escolhas. Das menores, que fazemos até sem perceber, e também das maiores, que exigem mais de nós, aquelas que nos roubam o sono e fazem a tarde de domingo parecer um labirinto sem fim. Segundo essa mesma teoria, nascemos todos iguais e, durante a vida, enfrentamos coisas um tanto parecidas: a morte dos nossos pais, o problema com os garotos imaturos no colégio, um amor não correspondido durante a faculdade ou, quem sabe, a demissão inesperada do emprego dos sonhos. Não necessariamente nessa ordem.

O que nos diferencia uns dos outros, disse meu amigo, é basicamente a maneira como lidamos com cada situação. As atitudes que tomamos moldam nosso futuro, descartando assim qualquer possibilidade de existência de um destino predefini- do, como dizem as revistas. O que é seu, se realmente for seu, será. Mas, para isso acontecer em algum momento da história, você terá de fazer a escolha certa, no momento certo, e aceitar as consequências. E quer saber? Elas podem ser uma droga.

Teoricamente, então, seu futuro ainda não é completamente seu.

Independentemente de qual for o desafio do momento, alguém já o enfrentou antes; portanto, nunca é o fim do mundo. Na verdade, é o início de outro. Ciclos começam e terminam o tempo todo. Nós é que perambulamos entre eles tentando encontrar um lugar seguro para ficar. Um lugar em que nos aceitem exatamente como somos. Até mudarmos de opinião e precisarmos fazer as malas para um outro lugar.

Passamos a vida assim, nos adaptando ao mundo. Acumulando pessoas e histórias que um dia vamos contar para alguém. Mas, e se, por um segundo, pudéssemos fazer o caminho inverso? Ler nossa própria história e escrevê-la novamente? Ontem, com a cabeça de hoje. Será que isso resolveria? Seria essa a fórmula da felicidade? A solução de todos os nossos problemas?

Eu queria saber. 

O que você faria se pudesse voltar no tempo? Será que fazendo escolhas diferentes você conseguiria mudar sua vida para melhor?

Anita tem 30 anos e sua vida é muito diferente do que ela sonhou para si. Um dia, ao encontrar seu primeiro blog, escrito quando tinha 15 anos, algo inusitado acontece e tudo ao seu redor se transforma de repente. Com cabeça de adulto e corpo de adolescente, ela se vê novamente vivendo as aventuras de uma das épocas mais intensas da vida de qualquer pessoa: o ensino médio. Ao procurar modificar acontecimentos, ela começa a perceber que as consequências de suas atitudes nem sempre são como ela imagina, o que pode ser bem complicado. Em meio a amores impossíveis, amizades desfeitas e atritos familiares, Anita tentará escrever seu próprio final feliz em uma página misteriosa na internet. 

Eu não sabia muito bem onde estava, mas queria muito que aquilo parasse logo. Meu corpo todo tremia pelo medo e por não estar entendendo o que estava acontecendo. Respirei fundo e olhei mais calmamente ao redor. Estava em um quarto de paredes cor-de-rosa. O cheiro era doce, como se alguém tivesse acabado de passar perfume para sair. A janela estava aberta, e um vento forte estava fazendo os pôsteres pregados na parede caírem no chão um a um. Eram do Radiohead, Alanis Morissette, R.E.M, Spice Girls, Backstreet Boys, The Corrs e Engenheiros do Hawaii.

Me apoiei na cama e fechei a janela. Respirei fundo, ainda observando tudo com atenção. Então, após alguns minutos na tentativa de aceitar que aquilo estava realmente acontecendo, comecei a reconhecer aquele lugar, que era estranhamente familiar. Esfreguei meus olhos sem acreditar no que estava vendo e, ao levantar da cama, notei um reflexo no espelho. Era eu. Aquela no espelho era eu… com 15 anos!

Sabe, eu adoro tirar foto. Das coisas, de mim, de tudo. Ganhei minha primeira câmera digital quando as redes sociais começaram a fazer sucesso no Brasil. Bem na época que o Orkut só permitia 12 fotos no álbum de cada vez. Depois o número aumentou para 24. E quanto o recurso passou a ser ilimitado, lá estava eu, com quase duas mil fotos publicadas. Depois veio a fase do Flogão. Minha última parada vocês já sabem, né? O mundo dos blogs. 

Estou escrevendo isso para mostrar que já faz um tempinho que compartilho minha vida na internet. Era um hobby, para passar o tempo ou impressionar algum garoto do colégio, mas depois virou profissão. Com o passar dos anos, o número de pessoas que acompanham o meu trabalho aumentou e eu tive que aprender a lidar com as consequências da exposição. Não é tão simples viver em um ambiente onde as pessoas estão apontando o dedo o tempo todo pra você, né? Seja com um comentário maldoso no Instagram ou uma publicação para ganhar likes no Facebook. Tive que respirar fundo um milhão de vezes para finalmente aprender a lição: não vale a pena se importar tanto com o que pensam.

 A internet é um universo paralelo onde as coisas possuem diferentes proporções. Escrever um texto e apertar enter é simples, tirar uma foto e publicar também, mas antes de fazer isso precisamos ter certeza que estamos preparados para ter conhecimento da opinião alheia. Aliás, nós realmente precisamos saber o que os outros pensam de cada coisa que acontece na nossa vida? No meio de tanta ostentação, é muito importante encontrar um equilíbrio.

Sabe o que eu acho? Nós jamais conseguiremos ser e fazer exatamente o que os outros esperam da gente. Ainda mais considerando que boa parte dos nossos amigos nas redes sociais nem nos conhecem de verdade ou realmente se importam com o que sentimos. Algumas pessoas não conseguem lidar com as diferenças e isso definitivamente não é um problema nosso. Julgamentos não são bem-vindos. É por essas e outras que continuo fazendo minhas combinações de estampa nos looks do dia (mesmo que algumas pessoas achem brega) e escrevendo meus textos de amor (mesmo que algumas pessoas achem infantil). Essa é a Bruna e juro, você não precisa gostar dela.

Quem aí mudou o status de relacionamento no Facebook nos últimos meses? Pois então, esse é o assunto de hoje.

Não sei se já comentei, mas eu namorei três vezes na vida. Tudo começou quando eu estava prestes a completar quinze anos de idade (foi um pouquinho depois que eu criei o blog). Minha primeira experiência em um relacionamento de verdade, embora não tenha durado tanto tempo, me ensinou muita coisa. Isso porque o cara era mais velho, não fazia parte do meu círculo de amigos e ainda por cima morava em outra cidade. Como eu era muito tímida na época, nós nos conhecemos na internet e só depois um bom tempo marcamos e finalmente ficamos juntos de verdade.

Lembro que eu não sabia direito como agir, porque embora eu gostasse muito dele, era complicado me adaptar a distância e a diferença de idade. Como eu fui a primeira das minhas outras duas amigas mais próximas a namorar, elas não faziam ideia de como me ajudar. Para falar a verdade, rolou até uma certa disputa entre eles. No final de semana eu tinha me dividir em três: uma Bruna para atualizar o blog, outra para sair com as meninas e a terceira para ser a namorada perfeita. Moral da história? No final das contas eu não aguentei tanta pressão e acabei terminando o relacionamento. 

No começo foi difícil. Terminar com alguém que a gente gosta e quer seja feliz é uma das coisas mais complicadas da vida. Ele era um cara muito legal, mas infelizmente estava vivendo uma fase completamente diferente da minha. Por sorte, depois de um tempinho, nós voltamos a conversar e descobrimos que não fomos mesmo feitos para ser namorados, mas sim, amigos. 

Logo depois do término, passei alguns meses triste e me sentindo meio sozinha. Não conseguia me envolver com mais ninguém, sabe? Achava todo mundo sem graça. Foi justamente nessa fase ruim que eu descobri que estava apaixonada por alguém que sempre esteve por perto: meu melhor amigo. Foi incrível porque ele tinha tudo a ver comigo. Estudava na mesma sala do colégio, gostava do mesmo estilo de música e ainda por cima amava ler os posts do blog. Ficamos juntos durante todo o ensino médio, diziam até que nós éramos um daqueles casais que se casam cedo, mas aí eu mudei de cidade e ele também. Mais uma vez tive que engolir meu coração e a vontade de chorar. 

No ano seguinte eu conheci um outro cara pela internet. Ele trabalhava na mesma área que eu e estava prestes a se mudar para São Paulo sozinho também. Não deu outra: viramos amigos. Como compartilhávamos as mesmas dores e alegrias, acabamos nos unindo. Foi incrível porque era uma fase complicada para mim, de adaptação e tal, mas com a companhia dele, foi um pouco mais fácil enfrentar cada desafio que ia aparecendo. Pois num belo dia a vida me mostrou que eu precisava enfrentar um outro desafio, mas dessa vez, sozinha. Sobrevivi.

Moral da história? A vida vai sempre nos fazer dar cambalhotas. O mais importante é que continuemos nos divertido muito entre uma e outra.

Dia desses fui no aniversário de uma conhecida. Não tão próxima para falar a verdade, mas alguém que está no meu círculo de amigos e sempre foi muito gentil comigo. Não gosto de faltar aniversários, sabe? Porque eu sei o quão assustador é aquela sensação de que ninguém vai aparecer na hora. Pois então, eu fui. Tomei banho, arrumei o cabelo, passei meu perfume predileto e finalmente, pedi o táxi. Sai de casa já atrasada. Normal.

No caminho, usando o celular, abri o evento no facebook para checar quem estaria lá. Pela lista de perfis confirmados, notei que era uma festinha apenas para garotas. Uma espécie de pré-comemoração, sabe? O dia do aniversário mesmo era só no final de semana seguinte e ela tinha planejado ir para o interior comemorar com a família. Certíssima.

Não vou mentir, achei fofo o fato dela ter lembrado de mim. Porque realmente eram poucas pessoas e eu não sou o tipo de garota que se enturma em grupinhos do mesmo sexo que eu. Nada contra, tá? É que sempre foi assim por aqui. A maioria dos meus amigos na escola eram homens e eu nunca tive paciência para passar o intervalo todo fofocando com as meninas. Não que eu nunca faça isso. É que o tempo todo é tããão entediante. Acho os rapazes bem mais simples, sinceros e diretos. Mas naquele dia eu estava ali, entrando em uma sala cheia de garotas. Lembro de conseguir ouvir suas vozes agudas lá de fora. ”São só algumas horas”, pensei. 

Dei um beijinho em cada uma, um abraço na (quase) aniversariante e sentei no lugar que estava vago. Peguei o cardápio na mesa e dei uma olhada rápida. Estava com fome. Uma das garotas me sugeriu um prato e então nós começamos a conversar sobre os nomes engraçados do menu. É que naquele restaurante as comidas eram apelidadas de canções famosas. Tipo “Let it be” ou “Close To Me”. E foi assim, falando de comida, que nós acabamos descobrindo algo em comum: nosso gosto musical.

De repente a garota que estava do outro lado da mesa entrou no papo também. Mais uma. Outra. E então todo mundo estava falando sobre a mesma coisa. Compartilhando uma experiência engraçada. Fazendo reflexões sobre o passado e o futuro. Perguntando a cor do esmalte uma da outra. Elogiando foto no instagram. Pedindo conselho amoroso. Naquela mesa eu cheguei a conclusão de que independente da idade, os garotos são muito confusos. Principalmente quando nós gostamos deles. 

Já deu para perceber que eu me diverti muito, né? Siiiiiim! Eu confesso que até voltei para casa me sentindo meio mal por ter julgado tanto aquelas garotas (coisa que eu detesto que façam). Graças a elas eu aprendi a dar uma segunda chance a certas coisas na vida.Tipo café. Eu não gostava de café. Agora eu amo café. Quer um golinho?

Não sei se já comentei com vocês, mas tenho um irmão mais velho. Quase três anos de diferença. Hoje em dia isso nem parece tanta coisa, mas durante a minha infancia ser a filha caçula significou muito. O tratamento dos meus pais era igual, mas ter que dividir os brinquedos e logo mais o computador fez de mim uma pessoa melhor. Menos egoísta. É óbvio que na época eu não conseguia enxergar as coisas desse jeitinho, né? Vivíamos em pé de guerra.

Ele, como todo irmão mais velho, era implicante e achava que sabia de absolutamente tudo. Talvez isso também tenha a ver com o fato dele ser meio “nerd”. Lembro que eu costumava me trancar no quarto chorando de raiva por nunca ser levada a sério. Confesso que todo o drama acabava me ajudando um pouquinho na hora de resumir e contar a história para os meus pais. No final das contas, eles sempre ficavam com pena de mim.

Fomos crescendo e enfrentando um montão de coisas. Pela idade, quase sempre, ele primeiro. A mudança de colégio no ensino médio. O almoço para apresentar a namorada na casa dos nossos pais. O primeiro churrasco da sala em outra cidade. O dia em que o papai ficou muito doente e eu não fazia ideia do que aquilo significava. Quando um garoto no colégio colocou uma moedinha no meu cofrinho e o meu irmão chamou os colegas os colegas de classe, bem mais velhos, para dar uma bronca no sujeito. Bem feito.

Meu irmão, sem saber, me ensinou tanta coisa. Musicalmente, apresentou bandas como Foo Fighters e Beatles. Me fez assistir todos os episódios de Pokémon, Digimon, Caverna do Dragão e Os Cavaleiros do Zodíaco. Aliás, nem sei se ele sabe disso, mas uma das minhas primeiras paixões platônicas aconteceu graças a ele. Era uma tarde qualquer, quando escutei vozes na sala. Abri a porta do quarto e lá esteve meu irmão e um grupinho de amigos. Um deles chamava Pedro. Ah, o Pedro. Passei tanto tempo apaixonada por ele. Jurava que era o amor da minha vida. Me enganei.

Quando sai de casa e vim morar em São Paulo as coisas mudaram um pouco. Nossa relação mudou. Passamos a nos ver uma ou duas vezes por mês. Ele, já trabalhando e estudando, e eu com os meus projetos na internet. Com o tempo, aos pouquinhos, paramos de brigar por qualquer besteira e começamos a compartilhar crises da vida adulta. Andei dando conselhos. Acho que foi aí que meu irmão percebeu que não sou mais aquela garota imatura e eu, me dei conta de que ele tinha se transformado num amigo, o melhor que já tive. 

Entendi então o significado daquela música: seja legal com seus irmãos. Eles são a melhor ponte com o seu passado. Posso dar uma dica? Quanto antes você descobrir, melhor.